António Lei Chi Wai, Secretário-Geral Adjunto do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, destaca o potencial de Macau enquanto plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa, lembrando que o território tem capacidade para ser mais do que apenas um elo de ligação a nível linguístico e geográfico
Indicado pelo Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), António Lei Chi Wai assumiu o cargo de Secretário-Geral Adjunto do Secretariado Permanente do Fórum de Macau a 1 de Julho de 2025. Fluente em chinês e português, tem ampla experiência de liderança em diversas entidades governamentais, incluindo ao nível da promoção económica, comercial e de investimento. Com um conhecimento profundo dos mercados dos Países de Língua Portuguesa, do Interior da China e de Macau, espera, no actual posto, ajudar o Secretariado Permanente a promover mais projectos de cooperação que se traduzam em benefícios mútuos para as partes envolvidas.
Em Julho do ano passado, foi designado pelo Governo da RAEM para o cargo de Secretário-Geral Adjunto do Secretariado Permanente do Fórum de Macau. Como encara esta nomeação? Quais são as suas expectativas e ambições?
Em primeiro lugar, gostaria de expressar o meu sincero agradecimento pela confiança que o Governo da RAEM depositou em mim. Ser nomeado
Secretário-Geral Adjunto do Secretariado Permanente é, simultaneamente, uma honra e uma responsabilidade. Representa, acima de tudo, uma oportunidade preciosa para, a nível nacional, contribuir para a promoção da estratégia de desenvolvimento e para o aprofundamento da cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa.
No futuro, dedicarei todos os meus esforços a coadjuvar o Secretário-Geral no desempenho das suas funções e a trabalhar em equipa na implementação do Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial (2024-2027), bem como no reforço da coordenação e da comunicação entre o Secretariado Permanente e o Governo da RAEM. Espero igualmente poder auscultar mais opiniões das diversas partes participantes, a fim de consolidar amplos consensos e fortalecer esta “ponte multilateral” abrangente e o “entendimento entre povos” ao nível da China e dos Países de Língua Portuguesa.
Quanto a trabalhos concretos, irei continuar a promover os assuntos do Fórum de Macau com relevância para a RAEM, a aprofundar o intercâmbio económico, comercial e cultural, a aumentar o conhecimento mútuo e a fomentar relações de benefícios mútuos e ganhos compartilhados. Acredito firmemente que apenas através da solidariedade e da colaboração o Fórum de Macau poderá desempenhar um papel mais eficaz e criar mais oportunidades para todas as partes participantes.
Macau, sendo uma plataforma importante para a cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa, possui vantagens ímpares. Tendo em conta as necessidades de desenvolvimento de Macau, procurarei promover mais projectos de cooperação que liguem a China e os Países de Língua Portuguesa e que tragam benefícios tangíveis para a RAEM, reforçando o entendimento mútuo e o desenvolvimento comum. Olhando para o futuro, irei manter uma atitude de humildade e aprendizagem contínua para acumular experiência prática, e conto com o apoio e a orientação de todos os sectores da sociedade no desempenho das minhas funções.
O Governo da RAEM, enquanto entidade responsável por apoiar os trabalhos do Fórum de Macau, tem desempenhado um papel importante. Na qualidade de Secretário-Geral Adjunto do Secretariado Permanente designado pelo Governo da RAEM, como tenciona apoiar Macau no desempenho dessa sua função na promoção da cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa?
O desenvolvimento da RAEM tem contado com um forte apoio do Governo Central. Desde a criação do Fórum de Macau em 2003, em Macau, o Governo da RAEM tem sido o seu dinamizador, assumindo essa importante responsabilidade e apoiando com todos os esforços o funcionamento do Secretariado Permanente na promoção da cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa.
Na sequência da criação do Secretariado Permanente em Macau, em 2004, o Governo da RAEM estabeleceu, no mesmo ano, o Gabinete de Apoio para lhe fornecer recursos e assegurar o apoio ao seu funcionamento diário. Em 2024, o Gabinete de Apoio fundiu-se com o então Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau, dando origem ao actual IPIM, uma reestruturação que visou optimizar as funções e o quadro orgânico dos serviços, bem como aumentar a eficácia e a qualidade do seu trabalho.
Na qualidade de Secretário-Geral Adjunto designado pelo Governo da RAEM, a minha principal missão é assegurar a implementação eficaz dos objectivos do Fórum de Macau e do Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial, bem como representar o Governo da RAEM na participação activa nos assuntos internacionais no âmbito do Fórum de Macau, alargando assim a rede de cooperação.
No futuro, concentrar-me-ei em três áreas de trabalho: primeiro, promover a implementação do Plano de Acção de acordo com as directrizes do Secretariado Permanente, tornando mais eficazes a articulação de projectos, o intercâmbio de informações e a concretização de resultados; segundo, reforçar o papel de ponte, aprofundando a coordenação entre o Secretariado Permanente e o Governo da RAEM e os seus departamentos relevantes, e promovendo o intercâmbio a nível intergovernamental, empresarial, humanístico e entre jovens entre o Interior da China, Macau e os Países de Língua Portuguesa; terceiro, ajudar Macau a potenciar as suas vantagens enquanto plataforma, expandindo projectos de cooperação que tragam benefícios mais amplos para todas as partes.
Sob a liderança do Secretário-Geral, a nossa equipa e eu continuaremos a aprimorar as nossas competências profissionais para impulsionar o desenvolvimento do Fórum de Macau de forma mais pragmática, contribuindo para a integração da RAEM na conjuntura nacional de desenvolvimento e para o desempenho do seu papel crucial de ligação entre o país e o exterior.
Exerceu funções em diversos departamentos governamentais e instituições públicas da RAEM e da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, tendo assumido cargos de direcção e chefia em várias áreas. De que forma é que estas experiências o ajudam a promover os trabalhos do Fórum de Macau?
No passado, exerci funções principalmente nas áreas de desenvolvimento industrial e de quadros qualificados, bem como na promoção económica, comercial e de investimento. Adquiri um conhecimento profundo sobre os mercados do Interior da China, dos Países de Língua Portuguesa e de Macau, estando familiarizado com o contexto bilingue chinês-português. Espero que estas experiências me possam ajudar a dar um contributo para a construção da plataforma sino-lusófona.
Os meus anos de experiência profissional proporcionaram-me os seguintes conhecimentos: primeiro, a capacidade de abordar as questões de uma perspectiva pragmática, compreendendo as necessidades sectoriais dos Países Participantes no Fórum de Macau e analisando os projectos de cooperação sob o ângulo da captação de investimento. Desta forma, posso atribuir a devida importância à viabilidade na formulação de propostas, procurando promover modelos de cooperação que sejam efectivamente implementáveis.
Segundo, a importância de uma base de confiança mútua. A confiança mútua estabelecida ao longo dos anos entre os diversos Países Participantes no Fórum de Macau constitui um importante “recurso ‘soft’” para alavancar a cooperação. No futuro, a equipa do Secretariado Permanente e eu, por um lado, pretendemos consolidar essa confiança já existente e, por outro, convertê-la em canais e projectos de cooperação concretos, criando mais oportunidades de intercâmbio presencial e de contacto para negócios.
Terceiro, a experiência de coordenação inter-regional. O meu trabalho em Hengqin proporcionou-me uma compreensão mais aprofundada sobre a articulação entre diferentes sistemas e as sinergias entre sectores. Tenciono aplicar essa experiência para melhor promover a cooperação multilateral entre o Interior da China, Macau e os Países de Língua Portuguesa, procurando, em particular, alcançar o entendimento mútuo, a cedência recíproca e o apoio conjunto na articulação entre políticas e práticas.
O Fórum de Macau alcançou, até à data, resultados frutíferos, com um crescimento significativo de comércio e investimento, onde o papel de Macau enquanto plataforma se tem revelado particularmente importante. Pautar-me-ei sempre por uma atitude pragmática para, em conjunto com os meus colegas, aprofundar a cooperação, contribuindo assim para o desenvolvimento do Fórum de Macau e para a afirmação do posicionamento da RAEM.
Macau tem desempenhado, ao longo dos anos, um papel de ponte entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Como pode o território melhorar o seu desempenho a esse nível?
Macau tem vindo a desempenhar, durante muito tempo, um papel único de ponte na cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o que se deve ao forte apoio do Governo Central e ao sucesso da implementação do princípio “Um País, Dois Sistemas”. Perante o futuro, sentimos não só um grande sentido de responsabilidade, mas também uma enorme confiança.
As importantes orientações do Presidente Xi Jinping por ocasião das comemorações do 25.º Aniversário do Retorno de Macau à Pátria fornecem-nos uma direcção clara. Macau irá manter-se firme no seu posicionamento enquanto “Um Centro, Uma Plataforma, Uma Base”, aprofundando as ligações com os Países de Língua Portuguesa a partir de quatro vertentes.
Primeiro, reforçar as funções institucionais da RAEM enquanto plataforma, apoiando continuamente e participando activamente na construção do mecanismo do Fórum de Macau, promovendo a normalização e pragmatização dos diálogos de políticas e articulações empresariais, de modo a criar um ambiente de cooperação mais estável e previsível. Macau não deve ser apenas um elo de ligação a nível linguístico e geográfico, mas também um “ponto de encontro preciso” para políticas, regulação e informações de mercado.
Segundo, expandir a cooperação em sectores emergentes. Partindo da consolidação da base de cooperação económica, comercial e financeira já existente, Macau pode aprofundar a cooperação com os Países de Língua Portuguesa em áreas como a economia azul, finanças verdes, ciência, tecnologia e inovação e serviços profissionais, entre outras. Adicionalmente, tirando partido das suas vantagens enquanto canal financeiro, Macau pode procurar fornecer um apoio mais especializado nos domínios do financiamento do comércio, da liquidação em renminbi (RMB) e das finanças sustentáveis.
Terceiro, aprofundar o intercâmbio humanístico e o entendimento entre povos. Tirando partido das suas profundas ligações históricas e culturais com os Países de Língua Portuguesa, Macau irá promover, através de canais diversificados, como a educação, a cultura, o turismo e o intercâmbio entre jovens, o aumento da compreensão e da confiança mútuas, consolidando assim as bases da cooperação.
Quarto, assumir um papel activo no serviço à estratégia de desenvolvimento nacional, articulando-se proactivamente com os projectos nacionais, como a construção conjunta de alta qualidade da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. É fundamental encontrar o posicionamento correcto na nova conjuntura de abertura ao exterior de nível mais elevado, procurando afirmar Macau como um importante pólo nacional de abertura bidireccional.
Perante uma conjuntura internacional complexa e em constante mudança, os desafios e as oportunidades coexistem. Com o apoio do Governo Central, Macau irá reforçar a estreita colaboração com o Secretariado Permanente e com os parceiros lusófonos, adoptando uma postura mais pragmática, inovadora e aberta, de forma a enriquecer continuamente o significado do seu papel de plataforma, aumentar a eficácia da cooperação e promover benefícios mútuos, ganhos compartilhados e o desenvolvimento sustentável.


