No dia 6 de Julho de 2026, a 18.ª edição da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa deu continuidade às suas actividades complementares de experiência cultural. Provenientes dos oito Países de Língua Portuguesa e de Macau, artistas penetraram no planalto do Tibete-Qinghai, passearam pelas margens do Lago Qinghai e, in loco, sentiam a singular têmpera que a civilização chinesa, ao longo dos séculos, ali forjara na terra alta.
De Xining ao Lago Qinghai, a paisagem do Planalto de Loess e do Planalto do Tibete-Qinghai desdobrava-se como um pergaminho infinito. Primeiro, barrancos e desfiladeiros entrecruzavam-se; depois, a relva verdejante estendia-se, onde sucessivamente se avistavam bandeiras de oração, torres brancas e manadas de ovelhas e bois. As voltas da estrada revelavam, num assombro, a vastidão infinita das águas do lago e o resplendor das montanhas.
Na nascente do rio Daotang, os artistas, trajando seus garbosos vestidos típicos das etnias chinesas, sorriam sobre a pradaria em flor. Provavam uma tigela do leite de iaque, perfumado e cremoso, e degustavam um pedaço do bolo de cevada, sentindo no paladar os sabores quotidianos dos moradores da estepe.
À beira do Lago Qinghai, debruçavam-se para tactear as águas límpidas e frias, observavam as gaivotas que planavam no céu e procuravam, sob a superfície, os peixes que se esgueiravam. Alguns, por curiosidade, experimentavam montar iaques; outros, com atenção, percorriam a feira de artesanato característico da cultura tibetana.
Todos escutavam a história das transformações do Lago Qinghai, do mar à terra, e contemplavam os vestígios do tempo impressos pelas alterações climáticas e pelos avanços e recuos das suas águas. Tomavam também conhecimento das práticas concretas e dos resultados alcançados no desenvolvimento do turismo em redor do lago e na preservação ambiental.
As montanhas de relevo imponente e as pradarias cobertas de flores proporcionavam sensações radicalmente diversas aos artistas oriundos da Europa, da África, da América Latina e da Ásia. Esses mensageiros da cultura, ao regressarem ao mundo lusófono, não levam consigo apenas fotografias, mas, sobretudo, uma memória inesquecível do Qinghai.


