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São Tomé e Príncipe: Turismo Sustentável como Novo Motor de Desenvolvimento
Tempo de liberação:2026-08-20
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Localizado no Golfo da Guiné, a cerca de 300 quilómetros da costa ocidental africana, São Tomé e Príncipe é um pequeno Estado insular com pouco mais de 220 mil habitantes e uma área total de 1.001 km². O arquipélago situase na linha do Equador, sendo o Ilhéu das Rolas atravessado pelo paralelo zero, elemento geográfico singular que reforça o seu posicionamento como destino de natureza e ciência.

De origem vulcânica, as ilhas emergem de um maciço submarino que integra a linha vulcânica dos Camarões. Entre as formações naturais mais emblemáticas destacase o Pico Cão Grande, uma agulha vulcânica com cerca de 663 metros de altitude, localizada no Parque Natural Obô, considerada um dos símbolos paisagísticos do país. O território é coberto por floresta equatorial primária, com elevado nível de endemismo, facto que sustenta o seu reconhecimento ambiental internacional.

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Pico Cão Grande
 Foto
: Shutterstock

 

Ao longo da sua costa recortada, o país oferece praias de elevada qualidade paisagística e ambiental, como a Praia Jalé, reconhecida pela desova de tartarugas marinhas, a Lagoa Azul, a Praia Banana no Príncipe e as extensões quase intocadas do Ilhéu das Rolas. Esta combinação de floresta primária, biodiversidade terrestre e riqueza marinha sustenta a perceção internacional de São Tomé e Príncipe como uma verdadeira joia ecológica no Golfo da Guiné.

Antiga colónia portuguesa até 1975, São Tomé e Príncipe construiu a sua identidade económica em torno do cacau. No início do Século XX, o país chegou a ser o maior produtor mundial deste produto agrícola. As roças — grandes plantações agroindustriais — estruturavam a economia colonial e funcionavam como unidades autónomas, com hospitais, escolas e infraestruturas próprias. Estimase que existam ainda mais de uma centena de antigas roças espalhadas pelo território, muitas em estado de degradação, mas outras já reabilitadas para fins turísticos e culturais. Este património constitui hoje um activo estratégico para a diversificação económica.

No âmbito da cooperação bilateral, encontrase em curso um programa de reabilitação de roças históricas com apoio técnico de Portugal, inspirado em modelos de recuperação patrimonial e parcerias públicoprivadas, visando a sua reconversão em unidades hoteleiras, centros culturais e espaços de formação profissional.


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Roça Sundy
Foto: Shutterstock

 

Reconhecimento internacional e consolidação estratégica 

O ano de 2025 representou um momento de afirmação internacional para São Tomé e Príncipe. A ilha de São Tomé foi designada Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO, juntandose ao Príncipe, classificado desde 2012. Com esta decisão, o país passou a ter a totalidade do seu território reconhecida como Reserva da Biosfera, tornandose o primeiro país do mundo com 100% do território classificado sob este estatuto[1]

No mesmo período, o Tchiloli — manifestação teatral tradicional que combina referências medievais europeias com expressão cultural africana — foi inscrito na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO[1].

A Ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável, Nilda Borges da Mata, afirmou, em entrevista publicada a 19 de Dezembro de 2025 no Travel Tomorrow, que o país não pretende desenvolver um modelo de turismo de massas, mas sim um turismo de qualidade, ambientalmente responsável e de alto valor acrescentado, alinhado com a capacidade de carga do território. “Não estamos à procura de turismo de massas. O nosso país é pequeno e conhecemos as consequências ambientais que o desenvolvimento turístico descontrolado pode provocar”, declarou. Acrescentou ainda: “É precisamente este o tipo de destino que São Tomé e Príncipe representa” [1].

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Ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável, Nilda Borges da Mata.
Foto: cortesia do Ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável de São Tomé e Príncipe

 

Crescimento turístico e impacto económico

Após a contração provocada pela pandemia, o sector turístico registou recuperação progressiva. Em 2023, o país recebeu 35.817 visitantes; em 2024, cerca de 41.000; e em 2025 atingiu aproximadamente 42.000 turistas, estabelecendo um novo máximo histórico, ainda que com crescimento moderado de 1,2% face ao ano anterior[2]. A meta governamental aponta para atingir 50.000 visitantes até 2030.

 

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Portugal continua a ser o principal mercado emissor, seguido de França, Angola, Alemanha e Reino Unido[2]. A procura concentrase sobretudo nos meses de Agosto e Dezembro, com tendência gradual de redução da sazonalidade.

 

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A oferta hoteleira tem acompanhado esta evolução com unidades de pequena e média dimensão orientadas para segmentos de natureza e ecoluxo, incluindo projectos reconhecidos internacionalmente no Príncipe e em São Tomé, que combinam integração paisagística, sustentabilidade ambiental e valorização da cultura local.

A criação da Conta Satélite do Turismo permitiu quantificar o peso real do sector na economia nacional. Estimativas oficiais indicam que o turismo representa cerca de 11% do Produto Interno Bruto, reforçando a sua importância enquanto instrumento de diversificação económica e geração de emprego.

Neste contexto, foi igualmente criada e dinamizada a Escola Nacional de Hotelaria e Turismo, com o objectivo de reforçar a qualificação profissional, elevar os padrões de serviço e assegurar que uma parte crescente do valor gerado pelo sector permanece na economia nacional.

 

Diversificação económica, investimento e balança comercial

A economia sãotomense apresenta défice estrutural na balança comercial, com forte dependência das exportações de cacau. Entre os principais produtos importados destacamse combustíveis, bens alimentares e equipamentos industriais, evidenciando a relevância estratégica do turismo enquanto gerador de divisas.

No âmbito da captação de investimento estrangeiro, o Governo aprovou o DecretoLei n.º 07/2025, promulgado em Julho de 2025 e em vigor desde Agosto do mesmo ano, regulamentando a aquisição da nacionalidade por investimento ou doação[3]. Esta medida integra uma estratégia mais ampla de atração de capital externo.

Paralelamente, decorre um programa estruturado de reabilitação das roças históricas, inspirado em modelos de parceria públicoprivada, com vista à sua reconversão em unidades turísticas, centros culturais e espaços de formação.

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Foto: Shutterstock

 

Uma visão estratégica para o futuro

São Tomé e Príncipe posicionase hoje como destino sustentável situado na linha do Equador, combinando património natural de excecional valor ecológico, herança histórica ligada ao cacau e identidade cultural reconhecida internacionalmente.

Com 42.000 visitantes em 2025 e uma meta de 50.000 até 2030, o crescimento é deliberadamente equilibrado. O turismo assumese como um dos principais instrumentos de diversificação económica num contexto de elevada dependência externa.

A classificação integral do território como Reserva Mundial da Biosfera, o reconhecimento do Tchiloli como património imaterial e a introdução de instrumentos jurídicos de captação de investimento refletem uma estratégia coerente de afirmação internacional.

Num país de dimensão reduzida, mas de elevada riqueza ambiental e cultural, o turismo sustentável consolidase como novo motor de desenvolvimento económico, preservando a autenticidade que distingue São Tomé e Príncipe no panorama africano e lusófono.

 



Fontes

[1] BUSCARDINI, António. “São Tomé and Príncipe opens the door to responsible tourism investment from Europe”. Travel Tomorrow, 19 de Dezembro de 2025.
https://traveltomorrow.com/sao-tome-and-principe-opens-the-door-to-responsible-tourism-investment-from-europe/

[2] “São Tomé e Príncipe bate recorde de turistas em 2025 com Portugal a liderar número de entradas”. Forbes África Lusófona, 16 de Abril de 2026.
https://sapo.pt/artigo/sao-tome-e-principe-bate-recorde-de-turistas-em-2025-com-portugal-a-liderar-numero-de-entradas-69e0a8cc6df5b1271f8d4b63

[3] DecretoLei n.º 07/2025, República Democrática de São Tomé e Príncipe.