Com um programa marcado pela música, a dança, o artesanato e as artes plásticas, a 17.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa alargou, pela primeira vez, o evento ao Interior da China, com Pequim e Zhongshan a servirem também de palco para o intercâmbio sino-lusófono
Mais de 70 artistas performativos, 12 artesãos e cinco chefes de cozinha, provenientes do Interior da China, dos Países de Língua Portuguesa e de Macau, juntaram-se num espírito de intercâmbio e celebração para a 17.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, organizada pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau. Este ano, pela primeira vez, o evento extravasou as fronteiras de Macau e incluiu também actividades na capital chinesa, Pequim, e em Zhongshan, na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau.
O programa, que se prolongou de 27 de Setembro a 18 de Novembro, visou, através de iniciativas diversificadas de criação cultural, reforçar a cooperação humanística entre a China e os Países de Língua Portuguesa.
Num discurso proferido na Cerimónia de Abertura da Semana Cultural, a 28 de Setembro, na Praça Legend Boulevard da Doca dos Pescadores, o Secretário-Geral do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, Ji Xianzheng, lembrou como o papel do evento foi enaltecido no Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial, aprovado durante a 6.ª Conferência Ministerial do Fórum de Macau, em 2024. Na altura, sublinhou, foi unânime o acordo entre os países participantes quanto à organização de actividades de intercâmbio entre as culturas chinesa e lusófonas no Interior da China e, em particular, nas cidades da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau.
De acordo com Ji Xianzheng, o alargamento da Semana Cultural deste ano ao Interior da China, pela primeira vez desde o lançamento da iniciativa, organizada em Macau desde 2008, visou potenciar plenamente o papel de Macau enquanto plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa, fomentando o intercâmbio cultural e o entendimento mútuo entre os povos.
Música, artesanato e iguarias
Em Macau, as principais actividades da 17.ª Semana Cultural decorreram entre 27 de Setembro e 2 de Outubro. A Doca dos Pescadores encheu-se de música e dança, com actuações de artistas de Qinghai, no Interior da China, dos Países de Língua Portuguesa e de Macau.
Duas artesãs da Província de Zhejiang encantaram o público com demonstrações ao vivo de técnicas ligadas ao recorte de papel de Pujiang e ao bordado “ponto-cruz”. Já os artesãos provenientes dos nove Países de Língua Portuguesa proporcionaram uma mostra de cerâmica, tecelagem, escultura e artes visuais, onde não faltou autenticidade e criatividade. A Feira contou ainda com a participação de artesãos locais.
Inaugurada no mesmo dia que a Feira de Artesanato, a 27 de Setembro, a Mostra Gastronómica dos Países de Língua Portuguesa reuniu chefes de renome, tais como Caroline Cyrino, do Brasil, Lamine Medina, de Cabo Verde, Lassiatu Djalo Balde, da Guiné-Bissau, Estefanía Nfono, da Guiné Equatorial, e Marlene Diogo, de Moçambique, que deliciaram o público com os seus menus especiais, criados em colaboração com o restaurante local Vic’s, na Doca dos Pescadores.
A Mostra Gastronómica incluiu ainda sessões de demonstração culinária, nas quais as chefes do Brasil, da Guiné Equatorial e de Moçambique confeccionaram ao vivo alguns pratos tradicionais, na Doca dos Pescadores, bem como workshops de culinária lusófona, pelas mãos dos chefes da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau.
De Macau para o Interior da China
Contando este ano com Macau e Pequim como palcos principais, a 17.ª Semana Cultural estreou-se na capital chinesa a 3 de Outubro, através da actividade “Intercâmbio Sino-Lusófono, Papel de Ponte de Macau”, que decorreu na Praça de Big Shopping Park.
No discurso de abertura, o Secretário-Geral Ji Xianzheng sublinhou que, sendo uma medida de apoio importante no fomento da cooperação abrangente de benefícios mútuos entre a China e os Países de Língua Portuguesa, a Semana Cultural evidencia o papel singular de Macau como elo no intercâmbio sino-lusófono e propicia ao público uma experiência vívida da integração de Macau na conjuntura do desenvolvimento nacional.
Realizadas ao longo de dois dias, as actuações culturais em Pequim contaram com a participação da China Broadcasting Chinese Orchestra, de grupos artísticos dos nove Países de Língua Portuguesa e da banda de Macau Soler.
Antes de rumar à capital, a festa do intercâmbio cultural sino-lusófono já tinha passado por Zhongshan, numa iniciativa co-organizada pelo Secretariado Permanente e pelo Governo Popular Municipal de Zhongshan. A cidade acolheu actuações de música e dança, apresentadas por artistas da Zhuhai Art College e vários grupos artísticos dos nove Países de Língua Portuguesa.
Durante a estadia em Zhongshan, uma delegação do Secretariado Permanente do Fórum de Macau realizou uma série de visitas e intercâmbios em diversos locais da cidade, como a Rua Pedonal Sunwenxi, o Centro de Exposição e Venda dos Produtos Industriais de Qualidade de Zhongshan e o Projecto Cidade de Tecnologia do Futuro da Baía, na Nova Zona de Cuiheng, entre outros.
Artes plásticas, literatura e cinema
Ainda em Zhongshan, esteve patente a Exposição das Artes Plásticas dos Países de Língua Portuguesa. A mostra, exibida no prestigiado Museu de Cultura Comercial de Xiangshan entre 29 de Setembro e 12 de Outubro, reuniu 27 obras de 23 artistas dos nove países lusófonos, abrangendo trabalhos de pintura e fotografia, entre outras formas de expressão artística.
Tendo já atraído mais de 70 mil visitantes em Zhongshan, a Exposição das Artes Plásticas dos Países de Língua Portuguesa foi apresentada também em Macau, no final de Outubro, na Galeria do Instituto para os Assuntos Municipais, ainda no âmbito da 17.ª Semana Cultural, tendo ficado patente até dia 18 de Novembro. Paralelamente, foi lançada a nova edição, em versão chinesa, da obra “Será Este Livro Um Romance?”, do escritor angolano João Melo, uma edição patrocinada pelo Fórum de Macau, com vista a promover o intercâmbio cultural sino-lusófono através da literatura.
Após a estreia em 2024, as obras audiovisuais voltaram a figurar no programa da Semana Cultural. A Exibição Colectiva de Obras Audiovisuais 2025 no âmbito do Mecanismo de Cooperação Audiovisual entre a China e os Países de Língua Portuguesa arrancou com a transmissão offline do documentário “Inspiração · Grande Baía – Uma Investigação do Sul da China por um Sinólogo Francês”, a 26 de Setembro, no Movie Hall da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, onde estiveram presentes mais de 200 convidados. Depois da sessão, o público teve a oportunidade de interagir com a equipa de produção, incluindo a realizadora Tang Lina e o sinólogo David Gosset.
A Exibição Colectiva incluiu ainda a transmissão de outros dois documentários chineses, “Para onde vão as Tartarugas-Marinhas” e “Reino do Gelo”.
As obras audiovisuais foram posteriormente exibidas offline na Galeria do Instituto para os Assuntos Municipais paralelamente à Exposição das Artes Plásticas dos Países de Língua Portuguesa, bem como em diversos estabelecimentos de ensino em Macau. A iniciativa incluiu também a oferta das obras para transmissão por estações televisivas dos Países de Língua Portuguesa e a sua disponibilização, para visualização online, na página oficial do Secretariado Permanente do Fórum de Macau.


