A missão brasileira participou em Novembro no Fórum China-CELAC de Desenvolvimento da Educação, integrado na Conferência Mundial da Língua Chinesa
Uma delegação liderada pela Presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação do Brasil, Denise Pires de Carvalho, deslocou-se em Novembro a Pequim, onde teve uma série de contactos na área da educação destinados a abrir caminho a parcerias futuras, sobretudo ao nível de estudos pós-graduados e da formação de professores.
A comitiva brasileira participou, entre os dias 14 e 18 de Novembro, no Fórum China-CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) de Desenvolvimento da Educação. Num discurso proferido em representação do Ministro da Educação do Brasil, Camilo Santana, Denise Pires de Carvalho destacou a importância da inteligência artificial no domínio do ensino superior, lembrando que tal irá exigir de governos e docentes uma actualização constante dos conhecimentos, bem como medidas eficazes no que toca à capacitação dos jovens para enfrentarem os desafios da era digital.
Cooperação de longa data
O Fórum China-CELAC de Desenvolvimento da Educação integrou o programa da Conferência Mundial da Língua Chinesa. Numa intervenção na sessão de abertura deste evento, Denise Pires de Carvalho lembrou que o Brasil valoriza a cooperação de longa data com a China, sublinhando que os últimos anos ficaram marcados por progressos importantes no âmbito das iniciativas ligadas à área da educação.
De acordo com a responsável, existem actualmente no Brasil 15 Institutos Confúcio, sendo cerca de 20 mil os alunos brasileiros actualmente matriculados em cursos de língua chinesa. Por outro lado, 50 instituições de ensino superior da China disponibilizam cursos de português a mais de cinco mil estudantes. A cooperação bilateral na área do ensino superior abrange 26 universidades brasileiras, 75 instituições chinesas e mais de 80 convénios.
Segundo um comunicado do Ministério da Educação brasileiro, a cooperação académico-científica com a China é de extrema importância para o Brasil, já que assume um papel preponderante no avanço do conhecimento e da inovação em diversos campos. Na mesma nota, é salientado que a liderança da China na área da investigação científica e tecnológica poderá possibilitar ao país da América do Sul o acesso a tecnologias capazes de dar resposta a desafios locais e regionais, enquanto o lado brasileiro poderá apoiar a nação asiática através da partilha da sua experiência e conhecimento em áreas como a agricultura, a biodiversidade, as energias renováveis e as ciências sociais.
Novas parcerias académicas
Durante a estadia em Pequim, a delegação brasileira visitou a Universidade de Beihang, na qual foi assinado um memorando de entendimento entre o estabelecimento de ensino superior chinês, especializado na área da aeronáutica, e a Universidade Estadual Paulista, do Brasil. O documento tem como objectivo alargar e aprofundar a investigação científica conjunta, os projectos relacionados com o ensino e a partilha de recursos, bem como promover de forma sistemática o intercâmbio de estudantes e académicos entre os dois países.
No dia 14 de Novembro, Denise Pires de Carvalho reuniu-se com Ren Youqun, Vice-Ministro da Educação da China. O périplo da dirigente brasileira pela capital chinesa incluiu ainda visitas à Academia Chinesa de Ciências, à Fundação Internacional de Educação Chinesa e uma reunião no Centro de Educação e Cooperação Linguística, na qual ficou patente o interesse em debater a formação conjunta de professores de chinês para exercerem funções no Brasil.
A série de encontros, que se prolongou até ao dia 18 de Novembro, incluiu ainda reuniões na Embaixada do Brasil na China.


