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Fórum sino-lusófono sobre infra-estruturas reúne mais de 120 participantes em Macau
Tempo de liberação:2026-10-05
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O evento abordou o potencial da inteligência artificial no âmbito da cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa no sector

 

Realizou-se no dia 12 de Junho, em Macau, o 12.º Fórum de Cooperação em Infraestruturas entre a China e os Países de Língua Portuguesa. A iniciativa contou com mais de 120 participantes, incluindo governantes e representantes diplomáticos dos países lusófonos. Também marcaram presença representantes de departamentos governamentais, assim como de associações comerciais e empresariais, do Interior da China, de Macau e dos Países de Língua Portuguesa.

Promovido no âmbito do 17.º Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas, o evento decorreu no Centro de Convenções e Exposições do complexo hoteleiro Venetian Macao, tendo sido organizado pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau e pela Associação dos Transportes da China, com o apoio da Associação dos Construtores Civis Internacionais da China.

O tema desta edição do Fórum de Cooperação em Infra-estruturas entre a China e os Países de Língua Portuguesa foi a “Capacitação pela Inteligência Artificial na Cooperação Sino-Lusófona para Melhoria de Qualidade e Eficiência”. Em foco esteve a integração de soluções de inteligência artificial ao longo de todo o ciclo de vida das infra-estruturas, desde as etapas de planeamento, design e construção até às fases de operação, manutenção, gestão de segurança e transição verde. Discutiu-se a potenciação do desenvolvimento sustentável e de qualidade das iniciativas de cooperação no domínio das infra-estruturas entre o Interior da China, Macau e os Países de Língua Portuguesa, com vista à criação de um modelo mais inteligente, digital e amigo do ambiente.

Num discurso na sessão de abertura, o Secretário-Geral do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, Ji Xianzheng, lembrou que o mais recente Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial do Fórum de Macau reitera o ramo das infra-estruturas – nomeadamente ao nível dos transportes, comunicações, energia eléctrica e recursos hídricos – como uma área de cooperação prioritária. O Plano de Acção, sublinhou, encoraja e apoia as empresas dos países participantes do Fórum de Macau a envolverem-se em diferentes projectos através de múltiplos modelos, incluindo o modelo integrado de investimento, construção e operação, de modo a promover a conectividade e o desenvolvimento sustentável.

Ji Xianzheng destacou ainda o crescimento dos indicadores ligados ao Índice de Desenvolvimento de Infra-estruturas dos Países de Língua Portuguesa ao longo de cinco anos consecutivos, salientando que o cenário evidencia “uma boa dinâmica de desenvolvimento e vastas perspectivas de cooperação”. O índice é divulgado anualmente durante o Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas.

Já o Presidente da Associação dos Construtores Civis Internacionais da China, Fang Qiuchen, referiu, no seu discurso, que a cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa no sector das infra-estruturas deve capitalizar as oportunidades de desenvolvimento digital, recorrendo a tecnologias de ponta, incluindo a inteligência artificial, para capacitar as infra-estruturas tradicionais. O responsável defendeu ainda o aprofundamento da cooperação sino-lusófona no âmbito da sustentabilidade, apontando para um maior investimento, no âmbito das infra-estruturas, em áreas como as energias limpas, a conservação de energia e a protecção ambiental.

Fang Qiuchen frisou que se tem vindo a assistir a um desenvolvimento acelerado de novas tecnologias, materiais e processos, pelo que, afirmou, a China e os Países de Língua Portuguesa devem aproveitar estas vantagens, reforçando a cooperação pragmática e a partilha de experiências bem-sucedidas em áreas como a engenharia e a tecnologia, as normas e os regulamentos, os recursos humanos e a gestão operacional, de modo a promover o desenvolvimento comum com benefícios mútuos.

 

Um novo ciclo

 

Também presente na sessão de abertura do Fórum, a Vice-Presidente do Comité Provincial de Jiangsu da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Han Liming, frisou que, actualmente, a inteligência artificial deixou “de ser uma mera ferramenta para se tornar na lógica fundamental que remodela todo o ciclo de vida das infra-estruturas”. A responsável partilhou exemplos da aplicação bem-sucedida de soluções de inteligência artificial em projectos de infra-estruturas na Província de Jiangsu, sublinhando que a estratégia visa um maior controlo da qualidade, a redução de custos, o reforço da segurança e a garantia de uma maior viabilidade ecológica.

No âmbito da integração da inteligência artificial em matéria de cooperação sino-lusófona na área das infra-estruturas, “rumo a uma nova fase de ‘alta qualidade, sustentabilidade e benefício para as populações’”, Han Liming sugeriu que a China e os Países de Língua Portuguesa reforcem o intercâmbio de experiências e recursos humanos e promovam a investigação conjunta de novas tecnologias.

Por sua vez, o Vice-Presidente da Associação dos Transportes da China, Fang Hai, lembrou, no seu discurso, que as parcerias alcançadas ao longo dos anos entre a China e os Países de Língua Portuguesa não só proporcionaram um forte apoio ao desenvolvimento socioeconómico das nações lusófonas, como também resultaram na acumulação de “experiências valiosas para a internacionalização das empresas chinesas”.

Actualmente, acrescentou o dirigente associativo, a aplicação da inteligência artificial está a “remodelar significativamente o ciclo de vida completo das infra-estruturas”, fornecendo “oportunidades sem precedentes” para a melhoria da qualidade e eficiência no sector. Neste contexto, o responsável acrescentou que a Associação dos Transportes da China vai continuar a desempenhar um papel de ponte, apoiando as empresas associadas que pretendem expandir-se para o estrangeiro e promovendo “a transição da cooperação em infra-estruturas entre a China e os Países de Língua Portuguesa para uma direcção mais digital, inteligente e verde”.

 

Novas oportunidades

 

Tong Kai Chung, Director-Geral da Aliança dos Estudos da Cooperação China-Países de Língua Portuguesa, moderou o primeiro painel temático do Fórum, que se concentrou nas “Novas Oportunidades de Cooperação em Infra-estruturas entre a China e os Países de Língua Portuguesa no Contexto do Desenvolvimento da Inteligência Artificial”.

O painel contou com a participação do Ministro do Petróleo e Recursos Minerais de Timor-Leste. Francisco da Costa Monteiro referiu que, numa altura em que o seu país está a apostar numa série de projectos de desenvolvimento ligados ao petróleo, ao gás natural e ao aproveitamento de recursos minerais, as chamadas infra-estruturas facilitadoras “continuam a ser o catalisador que transforma os recursos em oportunidade económica”. Destacando a “experiência de classe mundial” da China no desenvolvimento quer de infra-estruturas, quer de tecnologias digitais – incluindo a inteligência artificial –, o governante timorense salientou que existem “oportunidades significativas” para expandir a cooperação entre o lado chinês e os Países de Língua Portuguesa, em áreas como a transferência de tecnologia ou a capacitação técnica, entre outras.

Já o Coordenador-Geral de Política e Planeamento Integrado da Subsecretaria de Fomento e Planeamento do Ministério dos Transportes do Brasil, Rodrigo Santos Ferreira – presente no mesmo painel –, defendeu que a inteligência artificial pode ser “decisiva” na operação multimodal de infra-estruturas e tem o potencial para ajudar a “reduzir ineficiências, acelerar projectos e garantir uma cadeia sustentável”, em resposta aos desafios relacionados com a eficiência ambiental, a resiliência climática e as sensibilidades socioambientais. O responsável brasileiro defendeu ainda a procura de parcerias de elevado nível técnico, com a China e os Países de Língua Portuguesa a cooperarem na partilha de metodologias e dados, bem como na capacitação de recursos humanos.

No mesmo painel, do lado da Guiné-Bissau, o Director de Serviços de Estudos e Trabalhos Novos do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Urbanismo do país africano, Amadú Bamba Sambú Dabó, destacou “o papel fundamental das infra-estruturas como motor de crescimento económico e de transformação social”, bem como a necessidade de as tornar cada vez mais “modernas, resilientes e sustentáveis”. Frisando que desafios globais como o das alterações climáticas “exigem soluções inovadoras e uma cooperação internacional reforçada”, o dirigente afirmou que existe ainda um vasto espaço para ampliar a colaboração com a China em áreas como os transportes, a energia, a habitação, as infra-estruturas portuárias, a transformação digital e a capacitação técnica.

Cao Zhenwu, Director Executivo da Sino Soar Hybrid (Beijing) Technology Co., Ltd., apresentou a experiência da sua empresa no sector das micro-redes de novas energias. O responsável abordou os desafios energéticos enfrentados em diversas regiões de Países de Língua Portuguesa em desenvolvimento, bem como exemplos de soluções customizadas, destacando não só resultados concretos já alcançados, mas também perspectivas de cooperação futura.

Também presente neste primeiro painel temático, Dong Ting, Professora Associada e membro do Centro de Segurança e Estratégia Internacional da Universidade de Tsinghua, afirmou que a aplicação da inteligência artificial ao sector das infra‑estruturas traz consigo profundas mudanças. Assim, a especialista defendeu que é necessário elevar a cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa de modo que “a geração de electricidade, as redes, a capacidade de computação, os dados” sejam tratados como um todo interdependente, através de projectos planeados e promovidos “de forma integrada”, visando o crescimento sustentado dos Países de Língua Portuguesa.

 

O papel de Macau

 

Já os participantes no segundo painel de discussão – moderado por Li Zhiqiang, Vice-Presidente da Secção de Transportes Urbanos da Associação dos Transportes da China – partilharam entre si ideias sobre possíveis parcerias na área das infra-estruturas inteligentes e trocaram impressões sobre como potenciar o papel de Macau enquanto plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa. A inovação ao nível dos modelos de investimento e financiamento para modernizar a cooperação também foi fruto de discussão. Além disso, a criação de emprego de alto valor acrescentado e o fomento da diversificação económica foram outros dos temas abordados na sessão.

Neste painel, o Presidente da Empresa de Gestão do Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa, Zhang Jian, destacou a importância do mecanismo enquanto plataforma de investimento complementar no quadro do Fórum de Macau. O Fundo, assegurou, tem-se empenhado em servir de “ponte de investimento” e “motor financeiro” para a cooperação sino-lusófona em infra-estruturas inteligentes. Em termos de áreas de cooperação, o responsável defendeu que se aponte o foco à modernização digital, bem como à operacionalização e manutenção de sectores como os transportes e logística, as energias limpas e as comunicações.

O Vice-Presidente e Director Executivo da Beijing Yunxingyu Traffic Technology Ltd., Sun Hao, e o Director de Parcerias Globais do Grupo Holcim, Liu Lijia, foram outros dos oradores do segundo painel temático.

Sun Hao apresentou algumas das soluções de inteligência artificial desenvolvidas pela sua empresa, bem como os resultados alcançados, mostrando disponibilidade para aprofundar a cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa, nomeadamente através da partilha tecnológica, da definição conjunta de normas e da formação conjunta de talentos.

Já Liu Lijia destacou a experiência do Grupo Holcim enquanto “líder mundial em materiais de construção e soluções verdes” – incluindo na aplicação pioneira de novas tecnologias digitais –, propondo que se aproveite o papel de Macau enquanto plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa para promover novas parcerias, incluindo as que envolvem a partilha de tecnologia.

A sessão contou ainda com uma palestra do Professor Zhang Xueji. O membro do Instituto Americano de Engenharia Médica e Biológica (AIMBE) apresentou os mais recentes avanços na área dos biossensores inteligentes, bem como aplicações potenciais deste tipo de tecnologia.

Paralelamente ao 12.º Fórum de Cooperação em Infraestruturas entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o Secretariado Permanente do Fórum de Macau organizou também a Exposição sobre os Resultados da Cooperação em Infraestruturas entre a China e os Países de Língua Portuguesa.