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MEX posiciona Macau como elo entre a China e o mundo lusófono no mercado de carbono
Tempo de liberação:2026-09-30
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A Macau Internacional Troca de Emissões de Carbono Limitada, mais conhecida por MEX, pretende tirar partido das vantagens oferecidas por Macau para promover a negociação de activos ambientais – incluindo de créditos de carbono, certificados de energia verde e outros instrumentos similares – entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Meng Meng, Directora-Geral da entidade, revela que a plataforma de negociação operada pela MEX já listou mais de 30 projectos ligados a países lusófonos e de língua espanhola, envolvendo uma redução total de emissões de carbono superior a 14,13 milhões de toneladas

 

Como foi criada a Macau Internacional Troca de Emissões de Carbono Limitada (MEX, na sigla inglesa)? Quais são os seus objectivos estratégicos?

A MEX foi criada a 30 de Outubro de 2024. Recorrendo a tecnologias de informação avançadas e padrões de referência no sector, integra produtos e oportunidades relacionados com o clima a nível global, proporcionando à China uma solução específica com características de Macau para se conectar aos mercados internacionais de finanças verdes.

A Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) é um porto franco, com regras financeiras alinhadas com as normas internacionais. Além disso, a cidade situa-se na confluência de duas importantes estratégias nacionais – o projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Neste sentido, possui um conjunto de vantagens intrínsecas que lhe permite posicionar-se como um “superconector” no mercado internacional de carbono. A nossa tarefa é transformar gradualmente esse conjunto de vantagens intrínsecas numa realidade concreta.

A nível nacional, trabalhamos no sentido de apoiar as metas de “duplo carbono” estabelecidas pelo país [atingir o pico das emissões de dióxido de carbono antes de 2030 e alcançar a neutralidade carbónica antes de 2060], proporcionando um canal mais aberto para que o mercado de carbono da China possa estabelecer ligações com capital, tecnologia e regulamentações internacionais. A nível global, estamos a construir uma plataforma de cooperação no campo da acção climática, ao mesmo tempo que promovemos o alinhamento de padrões com as normas internacionais e a sua implementação prática, divulgando o progresso alcançado pelo mercado de carbono da China.

Em paralelo, a MEX encara o comércio de carbono como um motor para alcançar a neutralidade carbónica e desenvolver as finanças verdes. Oferecemos também a diversos sectores-chave em Macau soluções ligadas à neutralidade carbónica, ferramentas associadas a certificados verdes de absorção de carbono e instrumentos de financiamento verde, transformando a transição para a neutralidade carbónica numa vantagem competitiva para as indústrias da RAEM.

 

Qual é o modelo operacional da MEX?

A nossa plataforma pode ser entendida como um mercado digital de negociação de activos ambientais. Os produtos listados na MEX incluem créditos de carbono, certificados de energia renovável e outros itens similares. Apoiamos a negociação de certificados verdes internacionais e chineses e somos a única bolsa do género na China a disponibilizar contratos padronizados de créditos de carbono de elevada qualidade com cobertura global.

Nas áreas não directamente relacionadas com a negociação de activos, prestamos serviços de dados e estudos, formação, consultoria e outras soluções. Publicamos regularmente relatórios sectoriais para ajudar os participantes no mercado a compreenderem melhor tendências, a identificarem oportunidades e a mitigarem riscos. Além disso, disponibilizamos programas de capacitação que ajudam as empresas a aprofundarem o seu conhecimento sobre os desafios associados à acção climática. Prestamos igualmente serviços personalizados ao longo de toda a cadeia, desde o inventário de emissões de carbono e o planeamento de trajectórias de redução de emissões até à definição de soluções de compensação.

Através deste modelo integrado, que combina actividades de negociação e serviços não transaccionais, procuramos criar um ecossistema sustentável de activos ambientais e serviços verdes, permitindo que as empresas que necessitam de soluções nesta área as encontrem na MEX.

 

Quais os principais marcos já alcançados pela MEX?

Em primeiro lugar, concretizámos o nosso posicionamento estratégico de utilizar Macau como ponto de apoio para ligar a China ao mercado internacional de carbono. Macau tem vindo, gradualmente, a afirmar-se como um centro activo do mercado de carbono na Ásia.

Até Agosto deste ano, o volume acumulado de créditos de carbono negociados através da MEX tinha ultrapassado 1,17 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2-e). Já o volume de certificados de energia renovável negociados ascendia a 2,07 milhões de certificados. Contamos actualmente com 146 membros registados na nossa plataforma. Logo no dia da nossa inauguração, concluímos as primeiras negociações envolvendo cerca de 870 mil toneladas de créditos de carbono, abrangendo uma dezena de sectores em cinco países. Esperamos que, através da adopção de um conjunto de normas rigorosas e de uma governação sólida, os produtos disponibilizados através da MEX se tornem sinónimo de elevada qualidade.

Somos a única instituição de Macau que é membro da Associação Internacional de Comércio de Emissões. Estabelecemos igualmente parcerias com outros membros e organizações internacionais e mantemos uma cooperação aprofundada com diversas instituições académicas e industriais de referência a nível mundial no sector. Estas colaborações, ao promoverem o reconhecimento mútuo de activos, a integração de sistemas e a harmonização de normas, posicionam Macau como um verdadeiro pólo de ligação entre os vários mercados de carbono da Ásia e do mundo.

A nível nacional, a MEX formou alianças e assinou acordos de cooperação estratégica com várias instituições, com o objectivo de promover conjuntamente o desenvolvimento de um ecossistema de finanças verdes e de baixo carbono na Grande Baía. Somos a primeira plataforma da Grande Baía a actuar como agente na negociação internacional de certificados verdes chineses.

A MEX tem também apoiado a organização e implementação de planos de neutralidade carbónica em diversos eventos na RAEM, incluindo a Zona de Competição de Macau da 15.ª edição dos Jogos Nacionais da República Popular da China e o Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício.

 

Quais os Países de Língua Portuguesa que já estão representados na plataforma de negociação da MEX?

A MEX já listou mais de 30 projectos ligados a Países de Língua Portuguesa e Espanhola, com uma redução total de emissões de carbono superior a 14,13 milhões de toneladas. Um dos destaques foi a primeira transacção internacional na plataforma da MEX de certificados de energia renovável associados a energia fotovoltaica residencial, envolvendo um projecto localizado no Paraná, Brasil. Esta transacção abriu verdadeiramente a circulação transfronteiriça de certificados de energia renovável, permitindo que o valor ambiental da energia solar produzida no telhado de uma residência brasileira fosse reconhecido e transaccionado em Macau.

No final de 2025, a MEX facilitou a primeira transacção a nível nacional de créditos associados a sumidouros de carbono entre a China e os Países de Língua Portuguesa [projectos baseados em processos naturais e ligados à remoção de dióxido de carbono da atmosfera]. A transacção, que combinou créditos associados a sumidouros de carbono na China com créditos provenientes de Países de Língua Portuguesa e certificados internacionalmente, explorou uma nova via para a cooperação verde entre o Interior da China e o mundo lusófono.

Todos estes projectos são significativos. A MEX estabeleceu um sistema transfronteiriço de reconhecimento de propriedade, custódia e liquidação de activos ambientais acessível aos Países de Língua Portuguesa, tornando mais convenientes as transacções com a China e reduzindo os custos. Através da oferta de produtos de elevada qualidade de compensação de carbono, em conformidade com as normas internacionais e que conciliam a protecção da biodiversidade com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, a MEX demonstra a sua credibilidade.

 

Como pode a MEX aproveitar o papel de Macau como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa para promover a cooperação internacional nos mercados de carbono e na acção climática?

Ao tirar partido das vantagens de Macau como plataforma de ligação entre a China e os Países de Língua Portuguesa, e beneficiando do apoio das estratégias nacionais de desenvolvimento regional, a MEX pode prestar serviços integrados de balcão único no domínio dos activos ambientais, desde a negociação e custódia até à liquidação. Desta forma, contribui para a criação de um centro para o livre fluxo de activos ambientais internacionais e de uma plataforma verdadeiramente significativa para a cooperação climática global.

No domínio da negociação de carbono, a MEX liga, por um lado, activos e indústrias verdes de elevada qualidade dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola e, por outro, o capital e a procura dentro e fora da China. Através de canais de negociação transfronteiriços, estas duas vertentes podem ser ligadas de forma eficiente e articuladas de maneira precisa. A MEX utiliza igualmente Macau como plataforma para promover o alinhamento das regras entre a China e os mercados internacionais de finanças verdes, contribuindo para reforçar a influência do país no mercado global de carbono.

Por exemplo, estamos a colaborar com diversas instituições, departamentos e equipas de investigação académica para criar pontes entre as indústrias verdes da China e do Brasil, abrangendo áreas que vão desde a comercialização de créditos de carbono ao investimento industrial e desde o alinhamento de normas à implementação de projectos, com o objectivo de promover a cooperação internacional ao longo de toda a cadeia de desenvolvimento verde.

Além disso, estabelecemos parcerias estratégicas e assinámos memorandos de entendimento com diversas instituições especializadas de vários Países de Língua Portuguesa, com um enfoque conjunto na investigação tecnológica, na exploração de regras para o comércio transfronteiriço e no desenvolvimento de outros mecanismos de cooperação.

Em simultâneo, estamos a facilitar o fluxo de activos através do reforço da nossa infra-estrutura. Por exemplo, assinámos um acordo de cooperação estratégica com a EcoRegistry, uma plataforma fundamental para o registo de créditos de carbono na América Latina, estabelecendo uma ligação técnica directa entre os nossos sistemas. Esta ligação permite a interoperabilidade das plataformas e facilita a circulação de activos de carbono entre a Ásia e a América Latina, bem como entre os Países de Língua Portuguesa e Espanhola.

Macau não é apenas um local de transacções, mas também uma ponte para a cooperação ao nível da regulamentação, da ligação entre diferentes sectores e do intercâmbio de normas, incorporando o verdadeiro valor de um “superconector”.

 

Qual o papel de tecnologias como o “blockchain”, a inteligência artificial e os sistemas de verificação digital nas operações da MEX?

Na MEX, a tecnologia digital constitui a base de todas as nossas operações, permitindo responder simultaneamente a três questões fundamentais: assegurar a credibilidade dos activos, aumentar a eficiência das transacções e garantir a interoperabilidade dos dados.

Através da tecnologia “blockchain”, tornamos transparente todo o ciclo de vida dos créditos de carbono e dos certificados de energia renovável. Desde o desenvolvimento e registo dos projectos até à negociação e ao respectivo cancelamento, cada etapa é rastreável e resistente à adulteração, enquanto a compensação e a liquidação são executadas automaticamente através de contratos inteligentes. Desta forma, garantimos a transparência e a fiabilidade dos activos.

A nossa plataforma utiliza igualmente tecnologias de inteligência artificial para permitir a liquidação de transacções em diferentes moedas de forma simples e eficiente, através de um processo de “um só clique”, aumentando a eficiência das operações.

Além disso, o sistema digital da MEX está integrado com diversos registos globais de referência. O nosso sistema incorpora também algoritmos de classificação de créditos de carbono reconhecidos internacionalmente, permitindo uma avaliação automatizada e eficiente dos projectos listados. Desta forma, os investidores podem compreender rapidamente as características dos activos e participar no mercado com maior confiança.

 

Olhando para o futuro, qual será o papel da MEX na promoção da cooperação climática global entre a China e os Países de Língua Portuguesa?

Pretendemos assumir quatro papéis: funcionar como um elo que liga a China ao mundo no domínio da acção climática; ser um centro para o fluxo transfronteiriço de recursos ecológicos; assumir uma posição de liderança na construção de um mercado de carbono de elevada integridade; e, por fim, desempenhar um papel de “explorador verde” na diversificação industrial de Macau.

Continuaremos a reunir recursos e oportunidades a nível internacional, criando possibilidades de benefício mútuo para a China e os Países de Língua Portuguesa no domínio dos activos ambientais. Ao mesmo tempo, através da promoção da formação de preços de mercado e da monetização eficiente de produtos ligados ao carbono, à energia renovável e à biodiversidade, procuraremos contribuir para a construção de um ecossistema global de negociação de activos ambientais de elevada qualidade, eficiência e transparência, assente em normas comuns e modelos de absorção de carbono transparentes.

Tirando o máximo partido das vantagens de Macau enquanto plataforma de ligação entre a China e os Países de Língua Portuguesa, e aproveitando as oportunidades de cooperação nos mercados de carbono lusófonos, continuaremos a reforçar a capacidade de resposta às alterações climáticas e a explorar activamente as ligações com os mercados internacionais. Utilizaremos o comércio de carbono e de activos de carbono como motores para desenvolver um ecossistema robusto de serviços de finanças verdes, dando um “impulso verde” a diferentes sectores de Macau e abrindo novos caminhos para a diversificação adequada da economia da RAEM, conciliando o desenvolvimento de baixo carbono com o desenvolvimento industrial.

Ninguém pode ficar de fora do combate às alterações climáticas e o mercado de carbono não deve ser encarado como uma ilha isolada. Esperamos que, no futuro, quando se falar de cooperação climática entre a China e o mundo lusófono – e entre a Ásia e o resto do mundo –, Macau e a MEX sejam reconhecidos como uma ponte natural entre esses mercados.