Segundo Fórum de Reitores de Universidades da China e dos Países de Língua Portuguesa em Macau: Olhando para o futuro e estabelecendo um caminho de colaboração

Nos dias 22 e 23 de Novembro de 2022, realizou-se em Macau a segunda edição do Fórum de Reitores das Instituições de Ensino Superior da China e dos Países de Língua Portuguesa. A organização do evento esteve a cargo da Aliança para a Formação de Profissionais Bilíngues nas Línguas Chinesa e Portuguesa, actualmente presidida pela Universidade da Cidade de Macau (CityU). Devido a restrições de mobilidade durante a pandemia, o evento adoptou um formato híbrido, presencial e em vídeo.

Esta segunda edição do Fórum debruçou-se sobre estratégias de cooperação para o ensino superior na China e nos Países de Língua Portuguesa. O primeiro Fórum, realizado em 2018, esteve focado no papel de Macau como base para a formação de profissionais bilíngues Chineses e Portugueses.

A agenda de trabalhos desta segunda edição do Fórum de Reitores concentrou-se em quatro pilares temáticos:

Pilar 1 – O reconhecimento de que o conhecimento é um multiplicador de benefícios mútuos e, portanto, no futuro as universidades deverão ser mais internacionalizadas. Nesse contexto, o Fórum debateu a importância dos processos de certificação externa internacional de graus académicos e o papel das agências internacionais de certificação;

Pilar 2 – O reconhecimento de que a tecnologia é uma força motriz vital para apoiar processos de desenvolvimento sustentável. A tecnologia deve ser entendida como um processo gerador de benefícios comuns, designadamente nas áreas de segurança alimentar, transporte sustentável, saúde, soluções financeiras partilhadas, combate à pobreza e inclusão social.

Pilar 3 – O reconhecimento de que existe um valor comercial associado à língua portuguesa que pode ser mais valorizado com a formação de alunos bilíngues. A linguagem induz proximidade e todo o contacto cultural pode potenciar oportunidades económicas. Além disso, o bilinguismo é um activo intercultural valioso e interdisciplinar que facilita a busca de soluções globais para desafios globais. Nesse contexto, o Fórum identificou como prioritário o investimento em pesquisa, estudo, e desenvolvimento em duas áreas estratégicas para apoiar uma visão de cooperação: a economia azul e o direito internacional.

Pilar 4 – O reconhecimento de que os programas de grau duplo ou conjunto proporcionam uma visão ampliada da realidade. Esta visão permite uma preparação melhor de futuros líderes capazes de desenvolver parcerias e sinergias entre agentes políticos, culturais e económicos.

No segundo dia do programa, os participantes da sessão sobre intercâmbio humanístico e cooperação económica compartilharam experiências de projetos e actividades de cooperação, identificaram instituições influentes na cooperação e discutiram factores inibidores e facilitadores de iniciativas futuras.

O Reitor Professor José Magode da Universidade Joaquim Chissano (Moçambique) reiterou o compromisso da sua instituição no desenvolvimento das relações com a China, nomeadamente no que diz respeito ao desenvolvimento do capital humano. O Reitor Magode sublinhou a necessidade de bolsas de estudo para estudantes moçambicanos poderem estudar na China. Neste sentido, deu o exemplo de alguns académicos moçambicanos da sua instituição que se graduaram na China, falam Chinês e compreendem a cultura Chinesa, e por isso desempenham papeis de liderança muito importantes em parcerias com a China. Instado a indicar as instituições com maior impacto nas relações entre Moçambique e a China, mencionou o Instituto Confúcio e o Fórum de Cooperação China-África (FOCAC). Por fim o Reitor Magode referiu que o modelo de desenvolvimento da China pode usado em África como referência de desenvolvimento.

O Professor Luiz Gustavo Nussio (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queirós, da Universidade de São Paulo, no Brasil) destacou as crescentes relações de cooperação entre o Brasil e a China e descreveu várias parcerias nas áreas de alimentação e agricultura. Lembrou-nos também que o Brasil é o principal exportador de alimentos para a China, e que as instituições internacionais, como a FAO, a ONU e a OCDE, continuarão a orientar os termos de cooperação internacional. O Professor Nussio acrescentou ainda que o Brasil está comprometido com a melhoria da segurança alimentar a nível mundial nas próximas décadas. Por último, observou que no contexto da cooperação internacional é fundamental compreender outras culturas e evitar o colonialismo intelectual.

A Professora Catarina Xu Yixin (Universidade de Estudos Internacionais de Xangai (SISU)), disse que a língua e relações culturais são requisitos para a prosperidade das relações económicas. Nesse sentido, descreveu o extenso trabalho que a sua universidade tem realizado no ensino de Português na China, incluindo uma parceria com a Universidade Nova de Lisboa, em Portugal. O Instituto Camões e as Embaixadas também têm apoiado a expansão dos programas de língua portuguesa na China. Actualmente, mais de 50 universidades na China oferecem cursos em língua portuguesa. A Professora Xu observou ainda que os alunos de Português podem estagiar ou trabalhar em empresas Chinesas interessadas nos países de língua portuguesa. Sugeriu também que os programas que combinam estudos linguísticos e de negócios, poderão proporcionar vantagens únicas aos alunos quando entrarem no mercado de trabalho.

Em conclusão, a edição de 2022 do Fórum de Reitores confirmou o compromisso da Aliança para a Formação de Profissionais Bilíngues nas Línguas Chinesa e Portuguesa como instrumento de apoio às políticas de cooperação internacional entre estes países, tendo como foco quatro pilares fundamentais: internacionalização, tecnologia, bilinguismo e intensificação da cooperação académica. Os organizadores consideram que os grandes temas a abordar para a terceira edição do Fórum de Reitores devem incluir iniciativas e acções concretas, não só no âmbito da redução do fosso económico entre países, mas também maior envolvimento na educação universitária do sector privado.

O evento contou ainda com o apoio da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), a presença da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), o envolvimento da Universidade de Macau (UM), da Universidade Politécnica de Macau (UPM), a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) e a Universidade de São José (USJ). Contou também com a presença de altos representantes académicos de todos os Países de Língua Portuguesa (excepto a Guiné Equatorial), Universidades Chinesas, do Subdirector do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong, Macau e Taiwan do Ministério da Educação da República Popular da China, bem como o Director de Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude de Macau.